A
Polícia Federal está investigando uma organização criminosa que teria desviado
cerca de R$ 2 bilhões entre 2020 e 2025 por meio do golpe envolvendo o
aplicativo Caixa Tem. Os criminosos, segundo as investigações, subornavam
funcionários da Caixa Econômica Federal e de lotéricas para obter dados de
beneficiários de programas sociais do governo federal, do FGTS e do
seguro-desemprego.
Com
posse dos dados, como CPF e informações pessoais, os golpistas acessavam o
aplicativo Caixa Tem, se passavam pelos beneficiários e desviavam o dinheiro
para contas controladas pelo grupo. Desde a criação do aplicativo em 2020, a
Caixa já registrou 749 mil processos de contestação e ressarciu cerca de R$ 2
bilhões aos clientes prejudicados. A Caixa afirma que trabalha com os órgãos de
segurança para coibir fraudes e que monitora continuamente suas operações.
No
último dia 15 de abril, a Polícia Federal cumpriu 23 mandados de busca e
apreensão em cidades do Rio de Janeiro, como Niterói, São Gonçalo, Maricá,
Macaé e Rio das Ostras, e aplicou medidas cautelares contra 16 suspeitos. Foram
apreendidos 20 celulares, seis notebooks, dois veículos e diversos documentos,
que agora passarão por perícia técnica para aprofundar as investigações.
Entre
as vítimas está Keny Alcalde, de 39 anos, que relatou ter perdido seu auxílio
emergencial logo no primeiro acesso ao aplicativo, sem nunca ter usado o Caixa
Tem anteriormente. Após duas tentativas de contestação, Keny conseguiu reaver o
valor meses depois, período no qual enfrentou sérias dificuldades financeiras e
estresse, em plena pandemia de Covid-19.
Os
investigados podem responder por organização criminosa, furto qualificado,
corrupção ativa e passiva, e inserção de dados falsos em sistema de informação,
crimes que somados podem resultar em até 40 anos de prisão. A Caixa reforçou
que informações sigilosas são repassadas apenas às autoridades e orienta os
clientes a buscarem informações de segurança em seu site oficial.
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