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NUMBER FEVER: O CONCURSO DA PEPSI QUE RESULTOU EM MORTES E PREJUÍZOS MILIONÁRIOS.

Buscando
reduzir a vantagem comercial que a Coca-Cola possuía na região sudeste da Ásia,
Em fevereiro de 1992 a Pepsi decidiu tentar aplicar uma ação publicitária
ousada para ganhar mercado e se tornar popular em países de terceiro mundo. O
plano era a promoção Number Fever, que faria uma espécie de loteria com os
números presentes na tampa de garrafas.
Cada
tampa do padrão KS continha uma sequência com três algarismos, podendo ser a
sequência sorteada nos intervalos comerciais da Pepsi adquiridos nas emissoras
dos países da promoção. Semanalmente, uma nova sequência era revelada — e quem
achasse uma tampa com tal combinação ganharia um prêmio em dinheiro indicado
abaixo da escritura.
Do
sucesso ao fiasco
A
promoção, que envolvia a tampas do refrigerante Pepsi, 7UP e o Mountain Dew,
foi massivamente divulgada com artistas nacionais nos veículos de comunicação.
Os prêmios, que variavam de 1 mil até 1 milhão de pesos filipinos, aumentavam
gradativamente ao longo da campanha, angariando ainda mais consumidores. Como
resultado, as vendas da marca tiveram um acréscimo de quase 40%, um inicial
sucesso.
Com
a campanha alcançando todo o território filipino, estima-se que cerca de 31
milhões de cidadãos haviam participado — mais da metade da população do país na
época — com milhares de resgates. O problema aconteceu na última semana, quando
a Pepsi anunciou o número que ganharia 1 milhão de pesos filipinos: 349. O
problema, no entanto, era de que, sem a noção de tal fato, a empresa pela
produção estampou o número 349 em mais de 800 mil tampas que já estavam
circulando no mercado.
Tentando
resolver o problema, a Pepsi interrompeu a circulação do comercial e ainda
tentou confundir a população, comprando páginas em jornais nos dias seguintes
afirmando que o número sorteado era o 134. Mesmo com a trapaça, a tentativa não
foi convincente e, em meio ao clima de atraso no resultado das eleições
presidenciais no país, milhares de pessoas saíram em protesto pelas tampas contendo
o prêmio renegado.
Revolta
nacional
Ao
longo dos protestos, aproximadamente 40 caminhões da Pepsi foram incendiados em
ataques com granadas e molotovs nas portas de supermercados e na garagem da
fábrica, causando cinco mortes e dezenas de feridos. A empresa, sem o valor
para compensar, tentava invalidar tampas sem problemas, alegando problemas no
código de barras — visto que os cálculos apontavam 800 bilhões de pesos
filipinos em prêmios, passando o lucro anual da empresa.
O
fiasco também teve outro motivo somado; o sentimento anticolonial no país, na
mesma época em que os EUA fechavam a última de seis bases militares nas
Filipinas após anos de negociações, resultando na perda de centenas de milhões
de dólares de ajuda internacional e dezenas de desempregados — mas visto como
uma vitória nacionalista. Com o boicote a Pepsi, os filipinos tinham mais um
motivo para expulsar um símbolo americano.
Os
culpados foram apontados pela empresa mexicana D.G. Consultores, contratada
pela Pepsi para criar um método de seleção aleatório com segurança. A empresa
não se retraiu e, como “gesto de boa vontade” pagou apenas 500 pesos filipinos
para quase 500 mil vencedores, totalizando mais de 250 milhões de pesos — 500%
do orçamento previsto para a premiação.
O
processo contra a marca só foi concluído em 2006, com Supremo Tribunal das
Filipinas inocentando a marca pelas mortes e ferimentos causados nos protestos.
Os gastos processuais da companhia, junto com restituições e multas comerciais
ultrapassaram US$ 10 milhões, além de despencar as ações e o apreço popular,
fazendo a marca ser ultrapassada até mesmo por marcas regionais de
refrigerantes.
Vale
lembrar que os preços e a quantidade disponível para os produtos condizem com
os da data da publicação deste post. Além disso, a revista Aventuras na
História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos
links divulgados nesta página.
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