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TERCEIRA GUERRA MUNDIAL: OS ALERTAS QUE O MUNDO ESTÁ DANDO. CAP VII.
Segundo
John Simpson Role, editor de assuntos internacionais da BBC News.
O
papel global da China
No
caso da China, o presidente Xi Jinping tem feito poucas ameaças diretas
recentemente contra a ilha autogovernada de Taiwan. Mas, há dois anos, o então
diretor da CIA (agência americana de inteligência), William Burns, afirmou que
Xi havia ordenado ao Exército de Libertação Popular (as Forças Armadas
chinesas) que estivesse pronto para invadir Taiwan até 2027. Se a China não
adotar alguma ação decisiva para reivindicar Taiwan, Xi pode considerar isso um
sinal de fraqueza, algo que ele não deseja.
Hoje,
pode parecer que a China é forte e rica demais para se preocupar com a opinião
pública interna. Não é bem assim. Desde o levante contra Deng Xiaoping
(1978-1989) em 1989, que terminou no massacre da Praça da Paz Celestial
(Pequim), os líderes chineses passaram a monitorar com cuidado obsessivo a reação
da população.
Acompanhei
aqueles acontecimentos de perto, reportando e, em alguns momentos, chegando a
viver na própria praça.
A
história de 4 de junho de 1989, no massacre da Praça da Paz Celestial, não foi
tão simples quanto se imaginava à época: soldados armados atirando contra
estudantes desarmados. Isso de fato aconteceu, mas havia outra batalha em curso
em Pequim e em muitas outras cidades chinesas. Milhares de trabalhadores comuns
foram às ruas, determinados a usar o ataque aos estudantes como uma
oportunidade para derrubar, de vez, o controle do Partido Comunista Chinês.
Quando
percorri as ruas dois dias depois, vi pelo menos cinco delegacias e três sedes
locais da polícia de segurança completamente queimadas. Em um subúrbio, uma
multidão enfurecida havia ateado fogo a um policial e apoiado seu corpo
carbonizado contra um muro. Um boné de uniforme fora colocado de maneira
displicente em sua cabeça, e um cigarro havia sido enfiado entre seus lábios
enegrecidos.
Ficou
claro que o Exército da China não estava apenas reprimindo um protesto
estudantil de longa duração, mas sufocando um levante popular protagonizado por
cidadãos comuns.
A
liderança política chinesa, ainda incapaz de apagar as lembranças do que
ocorreu há 36 anos, mantém vigilância constante em busca de sinais de oposição,
seja de grupos organizados como o Falun Gong (grupo espiritual banido na China
desde o fim dos anos 1990), de igrejas cristãs independentes, do movimento
pró-democracia em Hong Kong, ou mesmo de pessoas que protestam contra corrupção
local. Todos são reprimidos com grande força.
Passei
boa parte do tempo desde 1989 cobrindo a China, acompanhando sua ascensão ao
poder econômico e político. Cheguei, inclusive, a conhecer um político de alto
escalão que foi rival de Xi Jinping. Seu nome era Bo Xilai, um anglófilo que
falava com surpreendente franqueza sobre a política chinesa.
Ele
me disse certa vez: "Você nunca vai entender o quão inseguro um governo se
sente quando sabe que não foi eleito".
Bo
Xilai acabou condenado à prisão perpétua em 2013, após ser considerado culpado
por suborno, desvio de recursos e abuso de poder.
Ou
seja, 2026 tende a ser um ano decisivo. A força da China continuará a crescer,
e sua estratégia para tomar Taiwan, a grande ambição de Xi, ficará mais clara.
É possível que a guerra na Ucrânia seja encerrada, mas em termos favoráveis a
Putin.
Ele
pode ficar livre para avançar novamente sobre território ucraniano quando
considerar oportuno. E Trump, mesmo que tenha sua força política reduzida nas
eleições legislativas de novembro, tende a afastar ainda mais os EUA da Europa.
Do
ponto de vista europeu, o cenário dificilmente poderia ser mais sombrio.
Se
você imaginava que a Terceira Guerra Mundial seria um confronto armado com
armas nucleares, é melhor repensar. É muito mais provável que se manifeste como
um conjunto de manobras diplomáticas e militares, em um contexto no qual a
autocracia ganhe espaço. Isso pode, inclusive, ameaçar a coesão da aliança
ocidental.
E
esse processo já começou.
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